terça-feira, 30 de março de 2010

Livro - A asustadora história da medicina - Richard Gordon


Com uma linguagem bem humorada e boas doses de ironia, A assustadora história da medicina, torna-se uma bela alternativa para quem quer escapar um pouco da rotina de estudos e ao mesmo tempo se embrenhar pela história dessa profissão que tanto amamos.

Já nas primeiras páginas do livro, o autor dispara: "A medicina era assustadora, ou melhor, apavorante!!! Você não precisará consultar cansativas enciclopédias ou pesados compêndios da história convencional da medicina para saber, por exemplo, que na luta contra a dor, o gás hilariante foi usado como anestésico na extração de dentes. O clorofórmio era uma beleza – o paciente adormecia, de fato, e muitas vezes para sempre."

No decorer do livro o autor nos presenteia com histórias sobre, a anatomia, a anestesia, a vacina, os micróbios, as pestes, entre outros assuntos interessantes da área médica.

Enfim, um bom entreterimento!

sábado, 27 de março de 2010

Filme - Quase Deuses ( Something the Lord Made)




Com técnicas sem precedentes e intensa dedicação, o médico Dr. Alfred Blalock  e o técnico de laboratório Vivien Thomas, descobrem a cura para uma doença genética rara que acometia bebês, deixando-os com coloração azulada (cianose), essa doença é chamada Tetralogia de Fallot ou Síndrome dos Bebês Azuis.

O filma mostra toda a luta travada na época, anos 40, contra a doença, o descaso da própria comunidade médica e da religião, que dizia que somente deus poderia intervir no coração do homen.

Além disso, o filme deixa explícito todo o preconceito racial e social da época, contrapondo, de um lado o famoso médico branco  que comanda o departamento cirúrgico do hospital John Hopkins e de outro, o negro, pobre e habilidoso carpinteiro.

 Apesar de todos os impecílios, essa foi uma das grandes revoluções na área da técnica cirúrgica cardíaca.

Filme imperdível!

Elenco:

Alan Rickman (Alfred Blalock)
Mos Def (Vivien Thomas)
Mary Stuart Masterson (Dra. Helen Taussig)
Kyra Sedgwick (Mary Blalock)
Merritt Wever (Sra. Saxon)
Doug Olear (Michael Saxon)
David Bailey (General)
Nat Benchley (Karsh)
Gabrielle Union (Clara Thomas)
Dave Trovato (Dr. Harmel)
Jonathan Watkins (Dr. Kelvin)
Douglas Watson (Dean Hamilton)


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Corpos que não se decompõe

O processo de incorrupção de corpos é explicado pela ciência, e quando ocorre por causa naturais é chamado de Adipocere.Em alguns casos a não decomposição é devido a técnicas de enbalsamento, unidas a condições naturais.

O processo de adipocere acontece enterrando o corpo em locais com pouco oxigênio e muita umidade, como nas criptas e mausoléus. Durante o velório o corpo é coberto com um tule bem fino e de boa qualidade ou se lacra o caixão direto, assim moscas não conseguem depositar seus ovos no corpo o que faria eclodir as larvas que o devorariam. O ambiente úmido e com temperatura constante, além de uma certa alcalinidade na umidade devido as pedras ou cimento da cripta ou mausoleu, um caixão que permita passar essa umidade, mas não os seres decompositores, inicia-se assim um processo em que a gordura humana começa a se tornar lentamente um tipo de sabão, - exatamente como fabricavam sabão em épocas muito antigas. Essa substância protege os músculos, ossos e muitos orgãos internos do corpo. Além é claro da escuridão do local que permite uma boa fermentação continua em sem problemas.

Hoje é possível até mesmo proteger e conservar órgãos internos, com a ajuda, é claro, de um bom enbalsamador.

Casos curiosos acontecem com alguns "santos" da igreja católica, que supostamente têm seus corpos conservados, veja esse caso:


Santa Bernardette foi uma pastora que teve uma visão da Virgem Maria na cidade de Lourdes – Portugal. Morreu no convento de Santo Gildard, em Nevers – França, em 1879 sendo enterrada na cripta da capela. Em 1909, uma comissão encarreagada de investigar a santidade da religiosa, procedeu à exumação de seu corpo tendo como testemunhas um bispo e dois médicos. Os trabalhos no túmulo foram feitos por dois pedreiros e dois carpinteiros. Eles encontraram o corpo da Santa em perfeito estado. Uma freira, que assistira ao enterro, 30 anos atrás, notou uma única diferença: o hábito de Bernadette estava úmido.


Sepultada, foi novamente exumada em 1919 sob as vistas de testemunhas leigas e religiosas. Os médicos que examinaram o corpo escreveram: “Quando o caixão foi aberto o corpo parecia estar absolutamente intacto e sem nenhum odor post mortem. Não havia cheiro de putrefação e nenhum dos presentes experimentou qualquer desconforto”. Uma terceira exumação foi feita em 1923 e o cadáver encontrava-se nas mesmas condições. Desta vez, o corpo foi aberto (necropiciado) e os orgãos internos estavam flexíveis. Um médico escreveu: “O fígado estava leve e sua consistencia era praticamente normal”.

Mas não são somente santos que têm esse privilégio, casos já ocorreram em todos os lugares e com todo tipo de defuntos, um caso muito interesante é de uma criança sepultada em 1902, exumada em 1995 quando houve a mudança de cemitério.


93 anos depois de sepultada

Na verdade, como falamos no início dessa postagem, esses fatos ocorrem devido à condições naturais e/ou processos de enbalsamação, se dermos a esses corpos, aparentemente incorruptíveis o tempo suficiente e os removermos de condições especiais que retardam o processo de decomposição (como ausência de oxigênio, bactérias, vermes, luz, etc.), todos os corpos humanos e partes do corpo se desintegram.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A arte de morrer e os carrascos desajeitados

Desde os primórdios da humanidade a morte é usada como castigo para diferentes crimes, isso ocorreu -e ainda ocorre - nos mais variados lugares da terra. Mesmo em países onde a pena de  morte foi abolida, histórias de um passado sangrento nos mostram peculiaridades e histórias no mínimo curiosas dessa prática.

Acontecia muitas coisas grotescas durante e depois de uma execução, como na história de John Coffey: durante seu enforcamento a corda roupeu-se e ele cai no fosso, aprentou-se então com sangramento nos ouvidos; a corda roupeu-se mais uma vez. Na terceira vez o estrangularam, levando para isso doze minutos.

Em 1927, o carrasco de quatro homens em uma colônia britânica estava com tanta pressa, que liquidou com eles aos pares.O cirurgião descobriu que um deles gemia e arfava depois de o carrasco ter ido embora, resultado: todos os quatro corpos foram suspensos por mais quinze minutos, apenas para se ter certeza.

Os enforcamentos sempre proporcionaram para seus espectadores um "belo" espetáculo, porém sempre trazia riscos, como o de a cabeça saltar fora ou a corda arrebentar. Foi então que os americanos trouxeram a eletrocução, William Kemmler inaugurou o caminho em 6 de agosto de 1890 em Auburn, estado de Nova York. Dizem alguns que no começo  as vítimas não morriam de imediato, apenas ficavam atordoadas, vindo a dar os últimos suspiros durante a necropsioa legal, realizada imediatamente após a eletrecução.

Em 10 de outubro de 1789 o médico, Dr. Joseph-Ignace Guillotin, inventou um dispositivo muito prático, que foi batizada em sua homenagem, a guilhotina. Na época, as execuções públicas eram eventos socias importantes na europa, os nobres eram guilhotinados, a ralé enforcada. Tudo era levado muito a sério, conta-se que a segunda rainha que o Rei Henrique XIII levou ao cadafalso, passou a noite anterior ensaiando.A guilhotina foi usada pela primeira vez em 25 de abril de 1792 e, caiu no gosto do público.


Histórias interesantes também rodeiam a guilhotina, o dramaturgo Somerset Maugham escreveu: "conta-se
uma história de um médico que havia combinado com um homen que seria guilhotinado para piscar três vezes depois de sua cabeça ser cortada, e disse que o viu fazê-lo duas vezes."

O Dr. Frederick Gaertner relatou: "Imediatamente após a cabeça ter caído no cesto, eu me encarreguei dela. A expressão facial era de grande agonia,por vários minutos após a decapitação. Ele abria os olhos e também a boca, no processo de estupefação como se quisesse falar comigo."

A cabeça de Charlotte Corday, de vinte e quatro anos, assassino de Jean-Paul Marat, corou-se com indignidade quando mostrada à multidão. Um estudante de medicina espetou um escalpeto em uma cabeça recém decapitada e obteve uma careta como resposta. Uma cabeça jogada em um saco juntamente com outra, mordeu-a.










O Dr. Joseph-Ignace Guillotin,
"pai" da guilhotina



A morte por gás é menos suscetível a acidentes, mas não tem a menor graça. A guilhotina era o cumprimento preferível de um final prematuro. Sempre havia a chance remota de cuspir no olho do carrasco.


Fonte: [Os Grandes Desastres da Medicina; Richard Gordon, Ediouro 1997]

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A cabeça viva

O que poderia ser mais horrível do que criar um cachorro de duas cabeças? Manter a cabeça decepada de um cão, viva para além do seu corpo!

Desde o massacre da Revolução Francesa, quando a guilhotina fez milhares de cabeças decepadas cairem em cestas, cientistas se perguntaram se seria possível manter uma cabeça viva fora do seu corpo, mas até o final dos anos 1920 ninguém havia conseguido essa proeza.

O Médico soviético Sergei Brukhonenko desenvolveu um primitivo do coração-pulmão que ele chamou de autojector, com este aparelho ele conseguiu manter viva a cabeça decepada de um cachorro. Ele exibiu uma de suas cabeças de cão, em 1928, diante de uma platéia de cientistas internacionais no Terceiro Congresso de Fisiologistas da URSS. Para provar que a cabeça deitada sobre a mesa realmente estava viva, ele mostrou que ela reagiu a estímulos. Brukhonenko bateu o martelo sobre a mesa, e a cabeça se retraiu, focou luz nos seus olhos, e a cabeça piscou . Ele ainda alimentou a cabeça com um pedaço de queijo, que imediatamente pulou da sonda esofágica na outra extremidade.

A cabeça de cachorro decepada, de Brukhonenko, tornou-se muito comentada na Europa e inspirou o dramaturgo George Bernard Shaw, "Estou mesmo tentado a ter minha própria cabeça cortada de modo que eu possa continuar a ditar peças e livros sem ser incomodado por doença, sem ter de vestir e despir, sem ter que comer, sem ter nada para fazer além de produzir obras de arte dramática e literatura ".



Fonte: http://www.museumofhoaxes.com/hoax/Top/ecomments/4736/

David Reimer

Em 1965 um menino nasceu no Canadá com o nome de David Reimer. Com oito meses de idade ele recebeu um procedimento comum, uma circuncisão. Infelizmente, durante o processo o seu pênis foi severamente queimado por casa do cauterizador que foi utilizado no lugar de um bisturi. Quando seus pais visitaram o psicólogo John Money, ele sugeriu uma solução simples para um problema complicado: uma mudança de sexo. Seus pais estavam perturbados pela situação, mas finalmente concordaram com o procedimento. Eles não sabiam que a intenção verdadeira do terapeuta era provar que a criação e não a natureza determinava a identidade sexual. Para o seu próprio ganho pessoal ele decidiu usar David como o seu estudo de caso privado.


David, agora com o nome Brenda, teve uma vagina construída e recebia suplementos hormonais. John disse que seu experimento foi um sucesso, ignorando os efeitos negativos da cirurgia de Brenda. Ela agia como um menino e tinha sentimentos confusos e conflitantes sobre uma série de tópicos. O pior é que seus pais não o informaram do acidente de infância. Isso causou um tremor na família. A mãe de Brenda era suicida, o pai alcoólatra e seu irmão era extremamente depressivo.

Finalmente os pais de Brenda contaram sobre seu verdadeiro sexo quando ela tinha 14 anos de idade. Ela decidiu então tornar-se David novamente e parou de tomar estrogênio, e fez uma reconstrução peniana. John não reportou outro resultado insistindo que seu experimento havia sido um sucesso, deixando de fora muitos fatos sobre a luta de David sobre sua identidade sexual. Em 2004, então com 38 anos, David tirou a própria vida.

Uma das últimas fotos de David


Retirado de: [http://hypescience.com/experimentos-antieticos/]

Os cadáveres e a eletrificação

Em 1780 o professor de anatomia italiano Luigi Galvani descobriu que uma fagulha de eletricidade poderia fazer os membros de um sapo morto se moverem. Logo cientistas de toda a Europa estavam repetindo seu experimento. Mas não demorou muito até que se cansassem de sapos e decidissem tentar um animal maior. O que aconteceria se um cadáver humano fosse eletrificado?

O sobrinho de Galvani, Giovanni Aldini, viajou pela Europa oferecendo espetáculos de revirar o estômago. Sua mais celebrada demonstração ocorreu em 17 de janeiro de 1803 quando ele aplicou os pólos de uma bateria de 120 volts ao corpo do assassino executado, George Forster.



Quando Aldini introduziu fios na boca e nas orelhas do morto, os músculos de sua mandíbula se agitaram e seu rosto se contorceu em uma expressão de dor. Seu olho esquerdo abriu como se para observar seu carrasco. Para o grand finale Aldini prendeu um fio em sua orelha e outro em seu reto. O cadáver de Forster iniciou uma dança repugnante. O London Times escreveu “Pareceu aos desinformados da platéia que o cadáver estava sendo ressuscitado”.

Outros pesquisadores conduziram experiências semelhantes na esperança de reviver os mortos sem sucesso.

Josef Mengele (1911 - 1979)

Muitos podem "torcer o nariz" para essa postagem, mas não poderia deixar de falar desse médico que incorporou realmente o sentido de "médico e monstro", em referência aos personagens Dr. Jekyll e Mr. Hyde do conto de Robert Louis Stevenson. Médico, pois formou-se como tal; monstro, porque seus experimentos custaram milhares de vidas inocentes.

Estudou medicina e antropologia na Universidade de Munique, onde em 1935 obteve um doutorado em Antropologia (Ph.D.). Atuando durante o regime nazista no campo de concentração Auschwitz, na época da segunda guerra mundial, Mengele era conhecido pelo apelido de Todesengel, "O Anjo da Morte". Em Auschwitz, se estima que morreram perto de 3 milhões de Judeus, nas câmaras de gás, a tiro, à fome ou queimados.

Algumas experiências médicas realizadas por Mengele são verdadeiras atrocidades contra seres humanos, entre suas bizarras experimentações estavam os testes de resistência à hipotermia, quando deixava prisioneiros em tanques de água gelada para ver por quanto tempo resistiam, dissecação de anões vivos, injetar tinta nos olhos de crianças, amputações e coleta de órgãos diversos.

O bloco 10 no campo de Auschwitz,
 onde Mengele realizava as suas experiências

Um tipo de experiência que merece uma maior atenção, foram os testes com gêmeos. Esses recebiam melhor tratamento do que os outros prisioneiros, tudo para que pudessem depois servir para as experimentações de Mengele. Tentativa de mudança da cor dos olhos, amputações e trocas de menbros, ligação entre veias de irmãos para tentar criar siameses artificialmente, estavam entre as barbáries cometidas contra gêmeos.

Outras crueldades do "anjo da morte" consistiam em testes diversos com ciganos e judeus que tinham doenças hereditárias como síndrome de Down e nanismo, submetia pessoas a mudanças de pressão extremas, tentou encontrar um método de esterilização em massa vitimando milhares de mulheres, tratamentos de choque, castração e cirúrgias brutais sem anestesia.

Infelizmente suas covardias não param por aí, poderíamos gastar horas e linhas falando desse homen que desonrou a tão nobre profissão médica , alguns historiadores afirman que Hitler não chegava nem perto de Mengele quando se tratava de crueldade.

Josef Mengele fugiu para a Argentina na década de 40, tendo posteriormente ido para o Paraguai e depois para o Brasil, onde veio a falecer. Sabe-se hoje que no Brasil viveu modestamente numa favela sob o nome falso de Pedro Gerhard, e pouco falava de seu passado, morreu em circunstâncias até hoje pouco esclarecidas.  Os seus ossos foram exumados em 1985, no cemitério de Rosário, na cidade de Embu das Artes, na grande São Paulo. A perícia, conduzida por especialistas do IML e da UNICAMP, determinou que a ossada era do médico nazista: um defeito dental que tinha nos dentes superiores frontais foi comprovado, além de coincidir em idade e estatura. Em 1992, uma análise de ADN confirmou finalmente a sua identidade.

Robert Koch (1843 - 1910) e a bacteriologia


Formado em medicina pela Universidade de Göttingen em 1866, o alemão Robert Koch era um obscuro e despretencioso clínico geral, que dizem alguns historiadores, não era uma pessoa agradável nem tampouco nobre. Talvez por isso não conseguiu se tornar um dos grandes heróis da medicina, apesar de ser considerado o pai da bacteriologia. Para, no entando, alcançar tal glória, Koch valeu-se de sua impetuosidade e dedicação em descobrir quais "pequenos animais" causavam quais doenças.

Trabalhando em seu próprio consultório, tendo como ajudante sua esposa, munido de apenas um microscópio e alguns instrumentos feitos à mão, Koch deu início a suas descobertas isolando o germe do Antraz, a partir dessa descoberta Koch foi resgatado da obscuridade sendo nomeado para o Instituto Imperial de Saúde de Berlim, onde contava com um laboratório decente e dois assistentes capacitados, lá isolou o vibrião da cólera e, desde então, em segredo absoluto, Koch deu início a uma das maiores descobertas médicas: o bacilo causador da tuberculose. Diz-se que seu silêncio deve-se ao fato que queria que a glória de sua descoberta fosse dada somente a ele e a ninguém mais.

Koch revelou sua descoberta em 24 de março de 1882, numa reunião da Sociedade Fisiológica de Berlim. O espanto de diante de tão importante descoberta contagiou a todos, como se não bastasse a descoberta do bacilo da tuberculose e consequentemente do nascimento da bacteriologia, as técnicas que Koch usou para cultivar essas bactérias foram extremamnete inovadoras, algumas sendo usadas até nossos dias.


Os dias que se seguiram à descoberta de Koch, foram de um foror científico imenso, seguidores do agora famoso médico e cientista não tardaram a descobrir o bacilo do tétano e da difteria empregando as mesmas técnicas de Koch.

Em 1905 Robert Koch recebe o prêmio Nobel, pelas suas contribuições ímpares em favor da ciência. No ano de 1910 Koch sofre um infarto do miocárdio, seu funeral durou seis minutos e apenas dez pessoas compareceram. A descoberta dos germes causadores do antraz, da tuberculose e da cólera, fizeram com que o médico interiorano, não acadêmico e aparentemente sem graça, entrasse para a história da medicina como o verdadeiro fundador da bacteriologia.

RX tórax com tuberculose no ápice do pulmão direito.


Fonte: FRIEDMAN, M&FRIEDLAND, G.M. - As dez maiores descobertas da Medicina. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

William Harvey (1578 - 1657) e a circulação do sangue

William Harvey estudou Medicina na Universidade de Cambridge, tento recebido seu doutourado em 1602 na mesma universidade. Harvey foi o responsável por descobrir a verdade sobre a circulação do sangue e de como o caração bombeava o sangue pelo corpo. Antes de Harvey, acreditava-se que o sangue era fabricado pelo fígado e de que era gasto pelo organismo, muito antes ainda, os pré-galenos afirmavam que as artérias conduziam ar ao invés de sangue. Algumas dessas teroias foram sustentadas por séculos, devido à superstições, e de que nos anos anteriores as dissecações eram realizadas em organismos já mortos, o que dificultava a correta visualização do sistema circulatório.

Na época de Harvey, no entanto já era comun a realização da vivissecção de animais. Muitas vezes, não ligando para os gritos dos animais, Harvey dissecava e analizava as estruturas ainda em funcionamento, o que lhe dava grandes vantagens sobre seus predecessores.

Assim Harvey concluiu que o sangue não era gasto pelo corpo e sim era reciclado, também detectou corretamente que as artérias levavam sangue do coração para as extremidades do corpo e que isso só era possível graças a atuação do coração que funcionava como uma bomba. As veias por sua vez traziam o sangue de volta ao coração.

Com cerca de 720 páginas, o livro chamado Exercitatio Anatomica de Motu Cordis et Sanguinis in Animalibus foi onde Harvey expôs suas teorias. Por contrariar alguns ensinamentos de Galeno, sua obra não foi aceita unanimamente pela comunidade científica da época, havia também uma área que Harvey - talvez pela falta de um microscópio -, não encontrou a solução, tratava-se do fato de comprovar como o sangue passava das artérias para as veias. Harvey no entanto, especulou que a troca se dava por meio de vazos invisíveis ao olho humano, o que foi motivo de ridicularização de seus oponentes.

Contudo, o repúdio e as objeções que alguns de seus comtemporâneos lançaram sobre sua obra, foram respondidas antes mesmo de sua morte e, suas conclusões eram cada vez mais aceitas. A prova final veio em em 1661, quando o anatomista italiano Marcello Malpighi, munido de um microscópio, pôde detectar os capilares pelos quais o sangue arterial passava para as veias.





Fonte: FRIEDMAN, M&FRIEDLAND, G.M. - As dez maiores descobertas da Medicina. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Johann Conrad Dippel (1673 - 1734)



Alquimista, teólogo e médico alemão, Johann é considerado por muitos como o cientista que inspirou Mary Shelley a escrever seu famoso romance "Frankenstein", uma curiosidade interesante é que ele nasceu no verdadeiro castelo Frankestein, na Alemanha, em 1673.










O Castle Frankenstein, onde viveu Dippel, atualmente em ruínas. Fonte: Wikipedia



Como trabalhava com alquimia, Dippel tentou descobrir o Elixir da Vida eterna, conta-se que Dippel formulou um óleo, o qual chamou de "Óleo de Dippel", feito a partir de ossos, sangue e víceras de animais.Os experimentos de Dippel, também envolviam partes de corpos humanos que eram cozinhadas em grandes "ensopados", tudo isso para tentar descobrir o "Elixir da Vida".


Dippel tentou criar ainda, um ser humano artificial através da Alquimia, o Homunculus, para isso fecundava ovos de galinha com sêmen humano e usava sangue menstrual para fechar o orifício da casca do ovo.

Obs: Apesar de nunca ter feito referência a isso, Mary Shelley teria ouvido falar de Dippel quando esteve em genebra com a família, inspirando-se assim para escrever o conto.

Transplante de cabeça de macaco



A revelação do cachorro de duas cabeças de Vladimir Demikhov em 1954 desencadeou uma disputa bizarra entre os dois super poderes da época: EUA e URSS.

Determinado a provar que os seus cirurgiões eram os melhores do mundo, o Governo Americano passou a financiar o trabalho de Robert White, que então trabalhava em uma série de cirurgias experimentais em seu centro de pesquisas cerebrais em Cleveland, resultando no primeiro transplante de cabeça de macaco do mundo.

O transplante ocorreu em 14 de março de 1970. White e seus assistentes levaram horas para remover cuidadosamente a cabeça de um macaco e transplantá-la para um corpo novo. Ao despertar e descobrir que seu corpo havia sido trocado, o macaco fulminou White com os olhos e brandiu-lhe os dentes.

O animal sobreviveu um dia e meio antes de sucumbir a complicações da cirurgia. As coisas poderiam ter sido piores pra ele, no entanto. White observou que, do ponto de vista cirúrgico, teria sido mais fácil implantar a cabeça ao contrário.

O médico imaginou que se tornaria um herói, mas o público ficou extremamente chocado com a experiência. A despeito da rejeição, White prosseguiu com uma campanha em busca de fundos para financiar a pesquisa para um transplante de cabeça humana.

Ele viajou o país na companhia de Craig Vetovitz, um quase quadriplégico, voluntário para ser o primeiro a ser submetido ao procedimento. Embora ainda não tenha acontecido, Robert White ainda espera realizar a cirurgia.

Saiba mais em:

Robert J.White
Whole-body transplant

O médico bebedor de vômito

Até onde você iria para comprovar uma teoria? No começo do século 19 Stubbins Ffirth, um estagiário de medicina na Filadélfia, foi mais longe que a maioria das pessoas. Bem mais longe.

Tendo observado que a febre amarela se alastrava durante o verão, mas desaparecia durante o inverno, Ffirth conclui que não se tratava de uma doença contagiosa. Segundo sua teoria a doença seria causada por um excesso de estimulantes como o calor, comida e barulho.

Para provar seu ponto de vista Ffirth se prontificou a mostrar que por mais que fosse exposto à febre amarela, ele não a contrairia. Inicialmente o estudante de medicina fazia pequenas incisões em seu braço e derramava sobre elas vômito colhido de pacientes com febre amarela. Ele não ficou doente.

Então ele pingou um pouco de vômito em seus olhos. Fritou um pouco da substancia em uma frigideira e inalou o vapor. Colocou um pouco em uma pílula e a ingeriu. Finalmente começou a tomar copos cheios de vômito puro. Mesmo assim não ficou doente.

Ffirth finalizou seu experimento untando-se com outros fluidos de pacientes de febre amarela: sangue, saliva, suor e urina.

Com a saúde intocada Ffirth considerou sua teoria provada. Infelizmente ele estava enganado. Hoje sabemos que a Febre Amarela é muito contagiosa, mas é preciso que a transmissão seja feita diretamente através da corrente sanguínea, geralmente pela picada de um mosquito, para causar a infecção. Ainda assim, considerando tudo que Ffirth fez pra se infectar, é um milagre que tenha permanecido vivo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Andreas Vesalius (1514-1564) e a anatomia moderna

Creditam-se a vesalius os fundamentos da moderna anatomia humana, embora Hipócrates e Aristóteles tivessem conhecimento do corpo humano, nenhum dos dois dissecou um corpo humano.

Para percebemos a real importância da obra de Vesalius, precisamos entender a situação da época em que viveu, no período da renascença o conhecimento da anatomia era vago e não se desenvolvia como outras áreas do conhecimento, em partes, tal letargia devia-se ao fato de que a obra de Galeno – importante médico grego do século II d.C – era considerada quase como sagrada e criticá-la era uma heresia. No entanto as observações anatômicas de Galeno eram na verdade fruto de dissecações de cães e macacos.

Ainda nessa época a dissecação de corpos humanos era proibida, somente no início da renascença, século XIII, que algumas cidades italianas permitiram a dissecação de pelo menos um determinado número de réus por ano – de certa forma esses criminosos deram origem à anatomia moderna.

Vesalius nasceu em Bruxelas em 1514 diplomou-se médico em 1537 em Pádua. Um relato do próprio Vesalius descreve as atividades que desenvolvera e que já não queria perpetuar:
 
Depoimento de Andréas Versalius

Hoje eu não passaria, de livre vontade, longas horas no Cemitério dos Inocentes, em Paris, revirando ossos, nem iria a Montfaucon procurar ossos - local onde uma vez, ao lado de um companheiro, fui seriamente ameaçado por muitos cães selvagens. Nem gostaria de ficar trancado do lado de fora do LOUVAIN (da Universidade) a fim de, sozinho no meio da noite, tirar ossos do cadafalso para preparar um esqueleto. Já não terei que me dar ao trabalho de encaminhar petições aos juizes com o propósito de atrasar o dia da execução de um criminoso para um momento mais adequado à dissecação que farei do seu corpo, nem terei que aconselhar meus alunos do curso de Medicina a observar onde alguém foi enterrado ou exortá-los a anotar a doença dos pacientes de seus Professores para poderem depois se apossar do corpo deles. Não terei que mantém durante várias semanas em meu quarto os corpos que tirei de túmulos ou que me foram dados após a execução pública, nem terei que suportar o mau humor de escultores e pintores que me deixavam mais desgostoso do que os corpos que estava dissecando. No entanto, jovem demais para ganhar dinheiro com a arte e desejoso de aprender e levar adiante nosso estudos comuns, pronta e alegremente suportei todas essas coisas.






De humani corporis fabrica, libri septem

O aparecimento deste livro acordou a medicina de quatorze séculos de sono profundo. Um livro inovador, preciso, dotado de grande beleza artística com mais de 200 gravuras. Apontava diversos erros de Galeno e por isso chocou seus contemporâneos, Friedman e Friedland dizem que fabrica foi uma publicação científica que originou a própria ciência Médica.

O livro é composto por cerca de setecentas páginas de fina impressão e é dividido em sete partes, ou sete "livros":



Livro I - dos ossos e das juntas, incluindo ilustrações dos crânios das cinco diferentes raças humanas, o que o torna o primeiro estudo de etnografia comparada;





























Livro II - dos músculos, possui as ilustrações mais famosas do livro;



































Livro III - coração e os vasos sanguíneos;




















Livro IV - apresentação do Sistema Nervoso;




















Livro V - órgãos abdominais;



















Livro VI - órgãos da região do tórax, incluindo uma observação de Vesalius sobre a semelhança do coração com um músculo;


















Livro VII - cérebro.






















Fontes:

FRIEDMAN, M&FRIEDLAND, G.M. - As dez maiores descobertas da Medicina. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

http://spirituslitterae.blogspot.com/2009/05/de-humani-corporis-fabrica-atlas-de.html


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Os Casos de Robert Liston

Robert Liston era a faca mais rápida do West End, em Londres. Podia amputar uma perna em dois minutos e meio.
Liston era de uma agitação incorrigível, mesmo para um cirurgião. Evitava carruagens, visitava seus pacientes a cavalo, e adorava caçar. A reputação de sua velocidade lotava sua sala de espera, e o mordomo tinha que circular uma jarra reanimadora de vinho madeira e biscoitos. Quando a anestesia ainda não era conhecida – podia-se escolher entre embriagar-se com ópio ou rum, ou morder um pano enrolado em um bastão – a cirurgia era uma questão de quanto maior a velocidade, menor a dor.
Tinha 1,85m de altura, e operava usando um casaco verde-garrafa e botas Wellington. Movia-se como um duelista através de mesas salpicadas de sangue com seu paciente desmaiado, suado e amarrado, e gritava "Cronometrem, senhores, cronometrem!" a estudantes com relógios de bolso em galerias com amuradas de ferro. Todos juravam que o primeiro brilho do seu bisturi era seguido tão suavemente pelo som do raspar da serra nos ossos que a visão e o som pareciam simultâneos. Para liberar ambas as mãos, ele segurava o bisturi ensangüentado entre os dentes.
Foi Robert Liston quem realizou, em 21 de dezembro de 1846, a primeira operação sob anestesia na Europa. Único comentário: "Esse truque ianque ganha de longe do hipnotismo." A perna caiu no balde de serragem em dois minutos e meio, mas, ainda assim, o talento de Liston em velocidade cirúrgica já se via ultrapassado.

O terceiro mais famoso caso de Liston

Discussão com seu residente. Aquele tumor vermelho e pulsante no pescoço do garoto era um abscesso na pele? Ou era um perigoso aneurisma da artéria carótida? "Ora!" exclamou Liston impacientemente. "Quem já ouviu falar de um aneurisma em um garoto tão jovem?" Tirando rapidamente um bisturi do bolso de seu casaco, ele o punçou. Nota do residente: "Jorrou sangue arterial, e o garoto foi-se." O paciente morreu, mas a artéria está viva, no Museu de Patologia do University College Hospital, objeto número 1256.

O segundo mais famoso caso de Liston

Amputou a perna em dois minutos e meio, mas em seu entusiasmo foram-se também os testículos do paciente.

O mais famoso caso de Liston

Amputou a perna em menos de dois minutos e meio (o paciente morreu mais tarde de gangrena na enfermaria do hospital, o que geralmente acontecia naqueles tempos pré-listerianos – Lister foi o inventor da anti-sepsia). Amputou, também, os dedos de seu jovem assistente (que morreu mais tarde de gangrena na enfermaria do hospital, o que geralmente acontecia naqueles tempos pré-listerianos). Cortou também as caudas do fraque de um ilustre espectador da cirurgia, que, de tão aterrorizado com a possibilidade de o bisturi ter perfurado seus órgãos vitais, caiu morto de susto.

Essa foi a única operação da história com uma taxa de mortalidade de 300 por cento.


Retirado de: [Os Grandes Desastres da Medicina; Richard Gordon, Ediouro 1997]