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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

David Reimer

Em 1965 um menino nasceu no Canadá com o nome de David Reimer. Com oito meses de idade ele recebeu um procedimento comum, uma circuncisão. Infelizmente, durante o processo o seu pênis foi severamente queimado por casa do cauterizador que foi utilizado no lugar de um bisturi. Quando seus pais visitaram o psicólogo John Money, ele sugeriu uma solução simples para um problema complicado: uma mudança de sexo. Seus pais estavam perturbados pela situação, mas finalmente concordaram com o procedimento. Eles não sabiam que a intenção verdadeira do terapeuta era provar que a criação e não a natureza determinava a identidade sexual. Para o seu próprio ganho pessoal ele decidiu usar David como o seu estudo de caso privado.


David, agora com o nome Brenda, teve uma vagina construída e recebia suplementos hormonais. John disse que seu experimento foi um sucesso, ignorando os efeitos negativos da cirurgia de Brenda. Ela agia como um menino e tinha sentimentos confusos e conflitantes sobre uma série de tópicos. O pior é que seus pais não o informaram do acidente de infância. Isso causou um tremor na família. A mãe de Brenda era suicida, o pai alcoólatra e seu irmão era extremamente depressivo.

Finalmente os pais de Brenda contaram sobre seu verdadeiro sexo quando ela tinha 14 anos de idade. Ela decidiu então tornar-se David novamente e parou de tomar estrogênio, e fez uma reconstrução peniana. John não reportou outro resultado insistindo que seu experimento havia sido um sucesso, deixando de fora muitos fatos sobre a luta de David sobre sua identidade sexual. Em 2004, então com 38 anos, David tirou a própria vida.

Uma das últimas fotos de David


Retirado de: [http://hypescience.com/experimentos-antieticos/]

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Os Casos de Robert Liston

Robert Liston era a faca mais rápida do West End, em Londres. Podia amputar uma perna em dois minutos e meio.
Liston era de uma agitação incorrigível, mesmo para um cirurgião. Evitava carruagens, visitava seus pacientes a cavalo, e adorava caçar. A reputação de sua velocidade lotava sua sala de espera, e o mordomo tinha que circular uma jarra reanimadora de vinho madeira e biscoitos. Quando a anestesia ainda não era conhecida – podia-se escolher entre embriagar-se com ópio ou rum, ou morder um pano enrolado em um bastão – a cirurgia era uma questão de quanto maior a velocidade, menor a dor.
Tinha 1,85m de altura, e operava usando um casaco verde-garrafa e botas Wellington. Movia-se como um duelista através de mesas salpicadas de sangue com seu paciente desmaiado, suado e amarrado, e gritava "Cronometrem, senhores, cronometrem!" a estudantes com relógios de bolso em galerias com amuradas de ferro. Todos juravam que o primeiro brilho do seu bisturi era seguido tão suavemente pelo som do raspar da serra nos ossos que a visão e o som pareciam simultâneos. Para liberar ambas as mãos, ele segurava o bisturi ensangüentado entre os dentes.
Foi Robert Liston quem realizou, em 21 de dezembro de 1846, a primeira operação sob anestesia na Europa. Único comentário: "Esse truque ianque ganha de longe do hipnotismo." A perna caiu no balde de serragem em dois minutos e meio, mas, ainda assim, o talento de Liston em velocidade cirúrgica já se via ultrapassado.

O terceiro mais famoso caso de Liston

Discussão com seu residente. Aquele tumor vermelho e pulsante no pescoço do garoto era um abscesso na pele? Ou era um perigoso aneurisma da artéria carótida? "Ora!" exclamou Liston impacientemente. "Quem já ouviu falar de um aneurisma em um garoto tão jovem?" Tirando rapidamente um bisturi do bolso de seu casaco, ele o punçou. Nota do residente: "Jorrou sangue arterial, e o garoto foi-se." O paciente morreu, mas a artéria está viva, no Museu de Patologia do University College Hospital, objeto número 1256.

O segundo mais famoso caso de Liston

Amputou a perna em dois minutos e meio, mas em seu entusiasmo foram-se também os testículos do paciente.

O mais famoso caso de Liston

Amputou a perna em menos de dois minutos e meio (o paciente morreu mais tarde de gangrena na enfermaria do hospital, o que geralmente acontecia naqueles tempos pré-listerianos – Lister foi o inventor da anti-sepsia). Amputou, também, os dedos de seu jovem assistente (que morreu mais tarde de gangrena na enfermaria do hospital, o que geralmente acontecia naqueles tempos pré-listerianos). Cortou também as caudas do fraque de um ilustre espectador da cirurgia, que, de tão aterrorizado com a possibilidade de o bisturi ter perfurado seus órgãos vitais, caiu morto de susto.

Essa foi a única operação da história com uma taxa de mortalidade de 300 por cento.


Retirado de: [Os Grandes Desastres da Medicina; Richard Gordon, Ediouro 1997]