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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Robert Koch (1843 - 1910) e a bacteriologia


Formado em medicina pela Universidade de Göttingen em 1866, o alemão Robert Koch era um obscuro e despretencioso clínico geral, que dizem alguns historiadores, não era uma pessoa agradável nem tampouco nobre. Talvez por isso não conseguiu se tornar um dos grandes heróis da medicina, apesar de ser considerado o pai da bacteriologia. Para, no entando, alcançar tal glória, Koch valeu-se de sua impetuosidade e dedicação em descobrir quais "pequenos animais" causavam quais doenças.

Trabalhando em seu próprio consultório, tendo como ajudante sua esposa, munido de apenas um microscópio e alguns instrumentos feitos à mão, Koch deu início a suas descobertas isolando o germe do Antraz, a partir dessa descoberta Koch foi resgatado da obscuridade sendo nomeado para o Instituto Imperial de Saúde de Berlim, onde contava com um laboratório decente e dois assistentes capacitados, lá isolou o vibrião da cólera e, desde então, em segredo absoluto, Koch deu início a uma das maiores descobertas médicas: o bacilo causador da tuberculose. Diz-se que seu silêncio deve-se ao fato que queria que a glória de sua descoberta fosse dada somente a ele e a ninguém mais.

Koch revelou sua descoberta em 24 de março de 1882, numa reunião da Sociedade Fisiológica de Berlim. O espanto de diante de tão importante descoberta contagiou a todos, como se não bastasse a descoberta do bacilo da tuberculose e consequentemente do nascimento da bacteriologia, as técnicas que Koch usou para cultivar essas bactérias foram extremamnete inovadoras, algumas sendo usadas até nossos dias.


Os dias que se seguiram à descoberta de Koch, foram de um foror científico imenso, seguidores do agora famoso médico e cientista não tardaram a descobrir o bacilo do tétano e da difteria empregando as mesmas técnicas de Koch.

Em 1905 Robert Koch recebe o prêmio Nobel, pelas suas contribuições ímpares em favor da ciência. No ano de 1910 Koch sofre um infarto do miocárdio, seu funeral durou seis minutos e apenas dez pessoas compareceram. A descoberta dos germes causadores do antraz, da tuberculose e da cólera, fizeram com que o médico interiorano, não acadêmico e aparentemente sem graça, entrasse para a história da medicina como o verdadeiro fundador da bacteriologia.

RX tórax com tuberculose no ápice do pulmão direito.


Fonte: FRIEDMAN, M&FRIEDLAND, G.M. - As dez maiores descobertas da Medicina. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

William Harvey (1578 - 1657) e a circulação do sangue

William Harvey estudou Medicina na Universidade de Cambridge, tento recebido seu doutourado em 1602 na mesma universidade. Harvey foi o responsável por descobrir a verdade sobre a circulação do sangue e de como o caração bombeava o sangue pelo corpo. Antes de Harvey, acreditava-se que o sangue era fabricado pelo fígado e de que era gasto pelo organismo, muito antes ainda, os pré-galenos afirmavam que as artérias conduziam ar ao invés de sangue. Algumas dessas teroias foram sustentadas por séculos, devido à superstições, e de que nos anos anteriores as dissecações eram realizadas em organismos já mortos, o que dificultava a correta visualização do sistema circulatório.

Na época de Harvey, no entanto já era comun a realização da vivissecção de animais. Muitas vezes, não ligando para os gritos dos animais, Harvey dissecava e analizava as estruturas ainda em funcionamento, o que lhe dava grandes vantagens sobre seus predecessores.

Assim Harvey concluiu que o sangue não era gasto pelo corpo e sim era reciclado, também detectou corretamente que as artérias levavam sangue do coração para as extremidades do corpo e que isso só era possível graças a atuação do coração que funcionava como uma bomba. As veias por sua vez traziam o sangue de volta ao coração.

Com cerca de 720 páginas, o livro chamado Exercitatio Anatomica de Motu Cordis et Sanguinis in Animalibus foi onde Harvey expôs suas teorias. Por contrariar alguns ensinamentos de Galeno, sua obra não foi aceita unanimamente pela comunidade científica da época, havia também uma área que Harvey - talvez pela falta de um microscópio -, não encontrou a solução, tratava-se do fato de comprovar como o sangue passava das artérias para as veias. Harvey no entanto, especulou que a troca se dava por meio de vazos invisíveis ao olho humano, o que foi motivo de ridicularização de seus oponentes.

Contudo, o repúdio e as objeções que alguns de seus comtemporâneos lançaram sobre sua obra, foram respondidas antes mesmo de sua morte e, suas conclusões eram cada vez mais aceitas. A prova final veio em em 1661, quando o anatomista italiano Marcello Malpighi, munido de um microscópio, pôde detectar os capilares pelos quais o sangue arterial passava para as veias.





Fonte: FRIEDMAN, M&FRIEDLAND, G.M. - As dez maiores descobertas da Medicina. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Andreas Vesalius (1514-1564) e a anatomia moderna

Creditam-se a vesalius os fundamentos da moderna anatomia humana, embora Hipócrates e Aristóteles tivessem conhecimento do corpo humano, nenhum dos dois dissecou um corpo humano.

Para percebemos a real importância da obra de Vesalius, precisamos entender a situação da época em que viveu, no período da renascença o conhecimento da anatomia era vago e não se desenvolvia como outras áreas do conhecimento, em partes, tal letargia devia-se ao fato de que a obra de Galeno – importante médico grego do século II d.C – era considerada quase como sagrada e criticá-la era uma heresia. No entanto as observações anatômicas de Galeno eram na verdade fruto de dissecações de cães e macacos.

Ainda nessa época a dissecação de corpos humanos era proibida, somente no início da renascença, século XIII, que algumas cidades italianas permitiram a dissecação de pelo menos um determinado número de réus por ano – de certa forma esses criminosos deram origem à anatomia moderna.

Vesalius nasceu em Bruxelas em 1514 diplomou-se médico em 1537 em Pádua. Um relato do próprio Vesalius descreve as atividades que desenvolvera e que já não queria perpetuar:
 
Depoimento de Andréas Versalius

Hoje eu não passaria, de livre vontade, longas horas no Cemitério dos Inocentes, em Paris, revirando ossos, nem iria a Montfaucon procurar ossos - local onde uma vez, ao lado de um companheiro, fui seriamente ameaçado por muitos cães selvagens. Nem gostaria de ficar trancado do lado de fora do LOUVAIN (da Universidade) a fim de, sozinho no meio da noite, tirar ossos do cadafalso para preparar um esqueleto. Já não terei que me dar ao trabalho de encaminhar petições aos juizes com o propósito de atrasar o dia da execução de um criminoso para um momento mais adequado à dissecação que farei do seu corpo, nem terei que aconselhar meus alunos do curso de Medicina a observar onde alguém foi enterrado ou exortá-los a anotar a doença dos pacientes de seus Professores para poderem depois se apossar do corpo deles. Não terei que mantém durante várias semanas em meu quarto os corpos que tirei de túmulos ou que me foram dados após a execução pública, nem terei que suportar o mau humor de escultores e pintores que me deixavam mais desgostoso do que os corpos que estava dissecando. No entanto, jovem demais para ganhar dinheiro com a arte e desejoso de aprender e levar adiante nosso estudos comuns, pronta e alegremente suportei todas essas coisas.






De humani corporis fabrica, libri septem

O aparecimento deste livro acordou a medicina de quatorze séculos de sono profundo. Um livro inovador, preciso, dotado de grande beleza artística com mais de 200 gravuras. Apontava diversos erros de Galeno e por isso chocou seus contemporâneos, Friedman e Friedland dizem que fabrica foi uma publicação científica que originou a própria ciência Médica.

O livro é composto por cerca de setecentas páginas de fina impressão e é dividido em sete partes, ou sete "livros":



Livro I - dos ossos e das juntas, incluindo ilustrações dos crânios das cinco diferentes raças humanas, o que o torna o primeiro estudo de etnografia comparada;





























Livro II - dos músculos, possui as ilustrações mais famosas do livro;



































Livro III - coração e os vasos sanguíneos;




















Livro IV - apresentação do Sistema Nervoso;




















Livro V - órgãos abdominais;



















Livro VI - órgãos da região do tórax, incluindo uma observação de Vesalius sobre a semelhança do coração com um músculo;


















Livro VII - cérebro.






















Fontes:

FRIEDMAN, M&FRIEDLAND, G.M. - As dez maiores descobertas da Medicina. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

http://spirituslitterae.blogspot.com/2009/05/de-humani-corporis-fabrica-atlas-de.html